domingo, 30 de março de 2008

A saída só reside na cultura da revolta

Baptista Bastos
O ranço salazarista

Cada vez mais nos afastamos uns dos outros. Trespassamo-nos sem nos ver. Caminhamos nas ruas com a apática indiferença de sequer sabermos quem somos. Nem interessados estamos em o saber. Os dias deixaram de ser a aventura do imprevisto e a magia do improviso para se transformarem na amarga rotina do viver português e do existir em Portugal.

Deixámos cair a cultura da revolta. Não falamos de nós. Enredamo-nos na futilidade das coisas inúteis, como se fossem o atordoamento ou o sedativo das nossas dores. E as nossas dores não são, apenas, d'alma: são, também, dores físicas.

Lemos os jornais e não acreditamos. Lemos, é como quem diz – os que lêem. As televisões são a vergonha do pensamento. Os comentadores tocam pela mesma pauta e sopram a mesma música. Há longos anos que a análise dos nossos problemas está entregue a pessoas que não suscitam inquietação em quem os ouve. Uma anestesia geral parece ter sido adicionada ao corpo da nação.

Um amigo meu, professor em Lille, envia-me um email. Há muitos anos, deixou Portugal. Esteve, agora, por aqui. Lança-me um apelo veemente e dorido: 'Que se passa com a nossa terra? Parece um país morto. A garra portuguesa foi aparada ou cortada por uma clique, espalhada por todos os sectores da vida nacional e que de tudo tomou conta. Indignem-se em massa, como dizia o Soares.'

Nunca é de mais repetir o drama que se abateu sobre a maioria. Enquanto dois milhões de miúdos vivem na miséria, os bancos obtiveram lucros de 7,9 milhões por dia. Há qualquer coisa de podre e de inquietantemente injusto nestes números. Dir-se-á que não há relação de causa e efeito. Há, claro que há. Qualquer economista sério encontrará associações entre os abismos da pobreza e da fome e os cumes ostensivos das riquezas adquiridas muitas vezes não se sabe como.

Prepara-se (preparam os 'socialistas modernos' de Sócrates) a privatização de quase tudo, especialmente da saúde, o mais rendível. E o primeiro-ministro, naquela despudorada 'entrevista' à SIC, declama que está a defender o SNS! O desemprego atinge picos elevadíssimos. Sócrates diz exactamente o contrário. A mentira constitui, hoje, um desporto particularmente requintado. É impossível ver qualquer membro deste Governo sem ser assaltado por uma repugnância visceral. O carácter desta gente é inexistente. Nenhum deles vai aos jornais, às Televisões e às Rádios falar verdade, contar a evidência. E a evidência é a fome, a miséria, a tristeza do nosso amargo viver; os nossos velhos a morrer nos jardins, com reformas de não chegam para comer quanto mais para adquirir remédios; os nossos jovens a tentar a sorte no estrangeiro, ou a desafiar a morte nas drogas; a iliteracia, a ignorância, o túnel negro sem fim.

Diz-se que, nas próximas eleições, este agrupamento voltará a ganhar. Diz-se que a alternativa é pior. Diz-se que estamos desgraçados. Diz um general que recebe pressões constantes para encabeçar um movimento de indignação. Diz-se que, um dia destes, rebenta uma explosão social com imprevisíveis consequências. Diz a SEDES, com alguns anos de atraso, como, aliás, é seu timbre, que a crise é muito má. Diz-se, diz-se.

Bem gostaríamos de saber o que dizem Mário Soares, António Arnaut, Manuel Alegre, Ana Gomes, Ferro Rodrigues (não sei quem mais, porque socialistas, socialistas, poucos há) acerca deste descalabro. Não é só dizer: é fazer, é agir. O facto, meramente circunstancial, de este PS ter conquistado a maioria absoluta não legitima as atrocidades governamentais, que sobem em escalada. O paliativo da substituição do sinistro Correia de Campos pela dr.ª Ana Jorge não passa de isso mesmo: paliativo. Apenas para toldar os olhos de quem ainda deseja ver, porque há outros que não vêem porque não querem.

A aceitação acrítica das decisões governamentais está coligada com a cumplicidade. Quando Vieira da Silva expõe um ar compungido, perante os relatórios internacionais sobre a miséria portuguesa, alguém lhe devia dizer para ter vergonha. Não se resolve este magno problema com a distribuição de umas migalhas, que possuem sempre o aspecto da caridadezinha fascista. Um socialista a sério jamais procedia daquele modo. E há soluções adequadas. O acréscimo do desemprego está na base deste atroz retrocesso.

Vivemos num país que já nada tem a ver com o País de Abril. Aliás, penso, seriamente, que pouco tem a ver com a democracia. O quero, posso e mando de José Sócrates, o estilo hirto e autoritário, moldado em Cavaco, significa que nem tudo foi extirpado do que de pior existe nos políticos portugueses. Há um ranço salazarista nesta gente. E, com a passagem dos dias, cada vez mais se me acentua a ideia de que a saída só reside na cultura da revolta.

E será assim...

O estatuto de aluno concede-lhe o direito de não reprovar por faltas. Se faltar, o problema não é dele. A escola é que terá que resolver o problema.
Tendo singrado na vida e atingido o fim da escolaridade sem saber ler nem escrever e mesmo sem ter posto os pés nas aulas, o estatuto de cidadão concede-lhe o direito de ter um emprego. Se faltar ao emprego como faltava às aulas, o problema não é dele. O patrão é que terá que resolver o problema.
Se, por um impensável absurdo, for despedido, o problema não é dele. O estatuto de desempregado concede-lhe o direito de ter um subsídio de desemprego e o problema é do Estado.
Se, na vigência do subsídio, faltar às entrevistas ou recusar novo emprego, o problema não é dele. As suas habilitações arduamente conquistadas concedem-lhe o direito de escolher emprego compatível e o problema é do Instituto do Emprego, obrigado a arranjar-lhe ocupação, para não aumentar as listas de desempregados.
Se, por um novo improvável absurdo, ficar fora do esquema, o problema não é dele, que o estatuto de cidadão com todos os direitos concede-lhe o direito ao rendimento social de inserção.
Que constituirá uma renda perpétua, pois o cidadão tem direito à existência!...
Renda paga pelos portugueses e não, como devia ser, pelos autores desta celerada lei, fautora da indisciplina, do laxismo, do não te rales, da irresponsabilidade mais absoluta, fomentadora da exclusão social!...
Por uma vez, tenho direito à indignação, com todas as letras: P.... que os pariu!...

UMA PROFESSORA

A Abelha Doutora Maria de Lurdes e as suas abelhinhas

AVISO AOS LEITORES: É do conhecimento público que não há nenhuma Abelha Rainha chamada Maria de Lurdes e que as Abelhas não têm qualquer sistema de avaliação do desempenho. Qualquer semelhança com uma Ministra ou algum sistema de avaliação do desempenho é da mais pura coincidência.

Houve em tempos remotos da História das Abelhas de um Reformista Roseiral uma célebre abelha Doutora (promovida de abelha-mestra a abelha doutora após um famoso concurso de titularidade destinado a abelhas do 10.º Escalão) que trabalhava para a organização empresarial «Abelhas Socraticamente Afoitas, SA». Os clientes e consumidores do mel produzido por esta organização adoravam a qualidade do mel que lhes era vendido e exigiam que a organização produzisse mais mel do que na temporada melar anterior.

Em resultado dessa exigência dos consumidores, o Apicultor Sócrates (Chairman do Conselho da organização) disse à Abelha Doutora Maria de Lurdes para produzir mais mel da mesma qualidade ou até de melhor qualidade. Maria de Lurdes, abelha empreendora e afoita - já com provas dadas no passado, quando decidiu fazer alterações ao Estatudo da Carreira das Abelhas - decidiu encontrar uma forma para melhorar o desempenho das abelhas da sua colmeia e a qualidade do mel produzido. Assim, estabeleceu um sistema de gestão do desempenho que media fundamentalmente a quantidade de flores visitadas por cada abelha.

Com um consideravel custo para as abelhas coordenadoras e organizadoras das actividades abelhares, bem como para as próprias abelhas trabalhadoras, foi implementado um pesado sistema de medição do desempenho a meio da estação melar. Este sistema, destinado a medir o número de flores visitadas e outros objectivos complementares considerados necessários para alcançar a excelência no mel produzido, previa o retorno de informação sobre o desempenho individual da abelha avaliada, mas nunca foi dito às abelhas da colmeia que o seu objectivo era produzir mais mel para que a «Abelhas Socraticamente Afoitas, SA» pudesse aumentar as suas vendas de mel.

Para garantir os objectivos da «Abelhas Socraticamente Afoitas,SA», a Abelha Doutora Maria de Lurdes teve a ideia inteligente de fixar quotas nas classificações atribuidas às abelhas avaliadas e de instituir prémios pelo bom desempenho individual das abelhas avaliadas, os quais eram atribuidos às abelhas que visitavam mais flores. No final da estação melar, o Chairman Apicultor Sócrates solicitou à Abelha Doutora Maria de Lurdes um relatório sobre os resultados referentes às actividades da Colmeia.

Maria de Lurdes, assessorada pelo famoso consultor Vitelinho Kanas, foi aconselhada a fazer um balanço centrado no sucesso da sua gestão e a não perder tempo com o que correu mal. Eis o extracto do mais importante do relatório da Abelha Doutora Maria de Lurdes ao Chairman Sócrates:

«Aumentámos o número de visitas às flores em 300% e diminuimos o tempo de viagem entre flores em 60%. Estamos de parabéns! Complementarmente conseguimos diferenciar as abelhas excelentes e muito boas das abelhas regulares e das pouco produtivas. O sistema de avaliação de desempenho implementado foi um grande sucesso e esta colmeia - após 30 anos sem avaliação - não podia passar nem mais um ano sem se proceder à diferenciação do mérito. (...)»

O Dr. Santos da Casa (mais conhecido pelo «o não faz milagres»), humilde funcionário público, investigador nas horas vagas, dedicado cidadão à causa pública da colmeia, estudou o dito relatório e descobriu que o relatório não era transparente e escondia algumas realidades negativas:


  1. Devido ao facto de as abelhas andarem muito ocupadas na tentativa de visitarem tantas flores quanto possível, tinham limitado a quantidade de nectar transportado ao mínimo possível tendo por objectivo aumentar a velocidade de voo entre flores;

  2. Uma vez que as abelhas sentiam que competiam umas contra as outras (consequência de só as abelhas com melhor desempenho individual conseguirem alcançar as reduzidas quotas de excelente ou muito bom e serem reconhecidas através de prémios) deixaram de partilhar informação entre elas;

  3. A ausência de partilha de informação e conhecimento levou a que não fossem efectuados relatos preciosos como novos campos de flores avistados e por explorar, informação preciosa para o aumento da produtividade da colmeia;

  4. Que a quebra na quantidade e qualidade do mel produzido estava disfarçada no relatório apresentado ao Chairman Sócrates e surgia justificada como um facto resultante do mau desempenho de um conjunto de abelhas classificadas com a classificação "menos boa" (em linguagem positivista e politicamente correcta, muito do agrado do consultor Vitelinho Kanas);

  5. Que o desempenho "menos bom" desse grupo de abelhas - propostas para um programa de mobilidade especial e/ou despedimento em caso de uma segunda temporada de maus resultados -resultava do facto de se preocuparem quer em transportar a maior quantidade de néctar que podiam transportar por cada voo efectuado, quer da sua preocupação em partilharem com as suas colegas abelhas a sua informação e conhecimento, nomeadamente sobre campos de flores avistados nos seus voos, ainda por explorar.

Perante estas descobertas, o Dr. Santos da Casa, tomou a iniciativa de comunicar ao Chairman Sócrates os factos do seu conhecimento bem como um conjunto de melhorias que podiam e deviam ser efectuadas. Ainda hoje, passados anos, aguarda resposta e foi com tristeza que viu a «Abelhas Socraticamente Afoitas, SA» afundar-se num célebre pântano.

Tudo começou no dia em que o Chairman Sócrates, face aos resultados de produção, decidiu manter o sistema de avaliação de desempenho tal qual estava, mas que não havia nem aumentos nem prémios para ninguém devido à falta de dinheiro para os pagar. As abelhas, sentindo-se enganadas manifestaram-se fazendo ouvir um zumbido ensurdecedor motivado pelo seu descontentamento. Passados meses, reunida a Assembleia Geral da «Abelhas Socraticamente Afoitas, SA», os accionistas extremamente descontentes com a gestão do Chairman Sócrates votaram uma proposta de destituição deste Chairman e da sua equipa de gestão, substituindo-o por um novo Chairman. Hoje, após tantos anos, a «Abelhas Socraticamente Afoitas, SA» ainda não superou as dificuldades em que mergulhou.

MORAL DESTE CONTO DE FADAS: Muitas das medidas de avaliação de desempenho implementadas nas organizações, bem como as respectivas recompensas, têm efeitos preversos e contrários ao que se pretende efectivamente estimular e premiar.

http://contributos.blogspot.com/2008/03/uma-abelha-doutora-chamada-maria-de_14.html

Pedreiras

Jorge Pedreira admitiu hoje o óbvio: a Avaliação do Desempenho não tem por objectivo cimeiro aumentar a qualidade da oferta educativa das escolas e, muito menos, promover o desenvolvimento profissional dos docentes. Nas palavras do Secretário de Estado (que é Jorge mas que de educação nada percebe) apenas visa contribuir para a redução do défice público. - Eureka! O enigma da má-fé ministerial fica finalmente revelado.
No fórum da 'TSF' da manhã de hoje, Pedreira , justificou os motivos pelos quais o ME discorda da proposta de António Vitorino em adiar a avaliação e testar-se o modelo preconizado pelo ME em escolas piloto durante um ou dois anos.
Pedreira (o Jorge, que até é secretário da ministra Lurdes), confessou o politicamente inconfessavel: "Terá de haver avaliação para que os professores possam progredir na carreira e assim possam vir beneficiar de acréscimos salariais" (sic).
Ou seja, aquilo que hoje se discute no mundo ocidental (democrático e desenvolvido, como rotula mas desconhece a primeira ministra), gira em torno da dicotomia de se saber se a avaliação do desempenho docente serve propósitos de requalificação educativa (se para isso drectamente contribui) ou se visa simplesmente constituir-se em mais um instrumento de redução do défice público.
Nesta matéria, Pedreira (o tal que é Jorge e ao mesmo tempo teima em ser secretário da ministra que também parece oriunda de uma pedreira), foi claro: Importa conter a despesa do Estado com a massa salarial dos docentes; o resto (a qualidade das escolas e do desempenho dos professores) é tanga(!).
Percebe-se, assim, porque motivo este modelo de avaliação plagia aquele que singra na Roménia, no Chile ou na Colômbia. Países aos quais a OCDE, o FMI o New Public Management americano impôs a desqualificação da escola pública em nome da contenção da despesa pública; Percebe-se, assim, porque razão a ministra Maria de Lurdes (que tem um secretário que, como ela, também é pedreira) invoque a Finlândia para revelar dados estatísticos de sucesso escolar e a ignore em matéria de avalição do desempenho docente. Percebo a ministra pedreira: não se pode referenciar aquilo que não existe. A Finlândia, com efeito, não tem em vigor qualquer sistema ou modelo formal e oficial de avaliação do desempenho dos professores!
Agradeço à pedreira intelectual que graça no governo de Sócrates (que por acaso não é pedreiro - até é engenheiro), finalmente nos ter brindado com tão eloquente esclarecimento. Cito-os:
A avaliação dos Docentes é mais um adicional instrumento legislativo para combater o défice público(!).
Obrigado, Srs. Pedreiras, pela clarificação do óbvio.

Pudesse Lurdes Rodrigues entender a Poesia

Formatas a Escola a teu prazer
apática, fria e empedernida

Professor contesta e tu desprezas.

100 mil na rua. Que te interessa!..

100 mil na rua são promessa, porque

neles há a verdade da vida. Já, tu,

ministra Lurdes sem Educação,

cairás no chão e serás esquecida.


AAA - Ericeira


SINDICATOS DA FNE QUEREM QUE AGRESSÕES A PROFESSORES SEJAM CRIME PÚBLICO

A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) defendeu hoje, em Coimbra, uma alteração na legislação para que as agressões aos professores passem a ser consideradas crime público.

"É o Ministério Público que deve assumir a apresentação da queixa [por agressão] e a defesa do professor".

Em conferência de imprensa após a reunião, o dirigente sindical observou que, "muitas vezes, por receio de represálias, os professores sentem-se coibidos de fazer queixa".

"É necessário que o professor sinta confiança e segurança quando entra na escola e que sinta que está protegido por legislação que lhe permite exercer a sua autoridade", realçou ainda João Dias da Silva.

Na perspectiva do secretário-geral da FNE, esta alteração legislativa é necessária para que se verifique "um reforço da autoridade dos professores".

O Estatuto da Carreira Docente, os concursos de professores e os problemas do ensino superior foram alguns dos assuntos discutidos no encontro do Conselho Geral da FNE.

PROFESSOR-ANTI BULLYiNG

No primeiro dia de aulas, tem de negociar (não impor) regras claras para todo o ano. Sem autoritarismos - a autoridade conquista-se

Não pode permitir ou sequer ignorar, nem uma única vez, comportamentos inadequados. Indisciplina exige rigor

Deve ser o primeiro a chegar à porta da sala, mas o último a entrar

Deve colocar mais questões que os alunos e supervisionar sempre o trabalho da turma

Uma mão no ombro de um aluno que esteja a ficar irrequieto faz milagres

http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/279111

Movimento Escola Pública

Reforma do ensino em quatro actos

Em primeiro lugar, esclareço que quero ser avaliado pelos resultados dos alunos, mais, quero ser avaliado por este único parâmetro – o artista vê-se pela sua obra, com uma condição: que haja exames a nível nacional, com questionários subtraídos ao controle dos professores e ao controle do Ministério; então, provar-se-á o que eu valho mas igualmente o que vale o sistema educativo. Dispensem-se os avaliadores, que ficam muito dispendiosos – em aulas perdidas para ir fiscalizar os colegas e em subsídios, que já estão a ser congeminados, para atrair as boas vontades dos espíritos mercantis. Desconfio, porém, que a Ministra não queira e que o sr. Albino não esteja disposto.

Vamos aos quatro passos para melhorar o ensino; com a garantia de que todos iriam
trabalhar bem mais e ninguém sairia humilhado. E creio que o País ficaria a ganhar:
1º escola oficina;
2º ensino gratuito, não obrigatório;
3º realização de exames;
4º transição sem negativas.

Vale a pena ler todo o documento aqui.

É bom que se CHOQUE

cavaco.jpg

Já perdemos demasiado tempo com avisos que caem em saco roto. Este Estatuto do Aluno, teoricamente retocado sob sugestão da Presidência, ficou uma lástima absoluta. Se sugestões existiram por parte de Belém, ou pouco de diferente tinham a acrescentar ou pura e simplesmente foram ignoradas.

Para Rainha de Inglaterra, já chega. O magistério de influência já se reparou que só funciona quando interessa.

Assim como é triste que seja preciso uma filmagem amadora de um adolescente mal-educado a idolatrar o comportamento de uma colega igualmente mal-educada, para as almas se inquietarem.

Os avisos sucessivos, durante três anos, por parte de quem está «por dentro» do sistema e sabe há muito os erros cometidos, neste período e antes, de nada serviram. São sempre tomadas de posição «corporativas», de quem quer «manter o poder» e os «privilégios».

Chega um caso singular e o copo parece que de repente está cheio e a transbordar, quando antes parecia ainda estar meio vazio. No caso dos docentes há muito que transborda. Para as almas subitamente inquietadas é que parece que agora chegou o momento de reclamarem.

É triste. Repito-o.

Este episódio e o que significa mais não é do que o corolário de um processo, que vivemos há anos, de destruição da imagem e fundamentos da Escola como instituição para ser levada a sério e do trabalho que lá se desenvolve como fulcral para o país.

O declínio da Educação não é culpa nem dos alunos, nem das famílias, nem dos professores.

É culpa, pura e simplesmente dos políticos.

Há que dizê-lo sem rodeios.

Foram eles que forneceram o roteiro para o descalabro do aspecto essencial e ventral da Educação que é a transmissão de competências e saberes, na forma de aquisição de aprendizagens e preparação para novas descobertas.

Não é demagogia, apenas a pura realidade objectiva. A culpa é dos políticos que (verdade seja dita) ajudámos a aleger, por acção ou omissão. Dos mesmos políticos que delapidaram, sem vantagens evidentes, os dinheiros do FSE e agora vão fazer o mesmo com as Novas Oportunidades. Milhões e milhões se perderão nas canalizações e filtros burocráticos que lucra(ra)m com estes fundos comunitários. Quanto ao país e à população em geral, servem-se-lhe qualificações e certificações em forma de canudo.

Mas o actual Presidente da República também tem as suas responsabilidades e talvez por isso se expliquem certas hesitações.

No seu primeiro mandato maioritário permitiu que Roberto Carneiro lançasse uma reforma demasiado ambiciosa para o nosso país (não estou aqui a evocar afinidades ou diferenças globais ou específicas com a dita reforma). Depois, no segundo mandato, deixou que a retalhassem por completo e dela deixassem ficar quase só o lado negativo. Foi então - quando os ministros da Educação se sucederam entre coutos, durões e leites - que floresceu a Pedagogia do Sucesso, o húmus de onde brotaram as benaventes que vieram a seguir e os valteres que agora aturamos a completar o serviço que deixaram inacabado nos anos 90.

Nas escolas públicas, a generalidade dos alunos e professores fazem o que podem para sobreviver e dar um mínimo de dignidade a esta charada legislativa. Mas cada vez observam que esse é um esforço não recompensado, nem sequer socialmente gratificante. Os bons alunos são em muitas circunstâncias amesquinhados e maltratados física e psicologicamente pelos campeões dos pátios, os rebeldes que não sabem o que é uma causa nem que a vejam pintada de cor de rosa, em forma de elefante, num corredor iluminado. Os professores que se esforçam apoucados no seu trabalho por uma tutela que só gosta de autómatos acríticos, geradores de sucesso estatístico.

Não há que recear ser claro, nem sob ameaça de processos disciplinares ou judiciais: a culpa foi e é de políticos seduzidos pelos resultados de curto prazo. Pelos efeitos mediáticos fáceis. Pelas estatísticas para consumo interno e externo. Pelas fórmulas retóricas tonitruantes mas de conteúdo nulo.

Foram muitos os ME’s neste últimos 20-25 anos. pois foram. Mas foram globalmente (sendo muito escassas as excepções e quase singulares os casos que aliaram qualidade e obra efectiva) medíocres. Nisso não deparamos hoje com novidades. A única diferença é que no actual ME os defeitos refinaram e as qualidades perderam-se quase por completo.

O Presidente da República está chocado.

Seja bem-vindo ao clube.

Pelas minhas contas é um clube vasto com centenas de milhar (ou mais) de alunos, encarregados de educação e docentes responsáveis e que a cada dia que passa se questionam sobre o que terão feito para serem obrigados a suportar isto.

http://educar.wordpress.com/2008/03/29/e-bom-que-se-choque-mesmo/

O Sucesso e as diferenças - Finlândia

Comunicação?

A luta continua. Divulgue o calendário de lutas!











Novas concentrações de professores em locais públicos, todas as segundas-feiras, de acordo com o seguinte calendário:.

1.ª Ronda:

07/04 - Protesto nacional.
14/04 - Protesto em todas as capitais de distrito do Norte.
21/04 - Protesto em todas as capitais de distrito do Centro.
28/04 - Protesto na Grande Lisboa.
05/05 - Protesto em todas as capitais de distrito do Sul e Regiões Autónomas.

2.ª Ronda:

12/05 - Protesto nacional.
19/05 - Protesto em todas as capitais de distrito do Norte.
26/05 - Protesto em todas as capitais de distrito do Centro.
02/06 - Protesto na Grande Lisboa.
09/06 - Protesto em todas as capitais de distrito do Sul e Regiões Autónomas.

Para que o Governo e a Ministra não se esqueçam de nós.

Divulga. Juntos, podemos!

O direito à educação

O direito à educação e ao ensino é o direito de todos e de cada um ao conhecimento e à criatividade, ao pleno e harmonioso desenvolvimento das suas potencialidades, vocações e consciência cívica. Direito este que deve ser assegurado por uma política que assuma a educação, a ciência e a cultura como vectores estratégicos para o desenvolvimento integrado do nosso país; que atenda à multiplicidade dos processos educativos e formativos contemporâneos e às dimensões a que estes devem dar resposta, desde a competência profissional e a qualificação, à cultura humanista e científico-técnica, à inovação e à criação.
Direito à educação que é assegurado por um sistema educativo que valorize o ensino público, democraticamente gerido e dotado de objectivos, estruturas e meios financeiros e humanos que permitam o direito ao ensino e à igualdade de oportunidades de acesso e sucesso educativo a todos os portugueses.


Igualdade de oportunidades que, num contexto nacional de profundas injustiças na distribuição da riqueza nacional, com a grande maioria dos trabalhadores a perder poder de compra, só pode ser garantida com uma correcta política de Acção Social, com um financiamento adequado por parte do Orçamento do Estado, condicionando desta forma ao mérito e não a constrangimentos sócio-económicos, a frequência do ensino. No ensino superior chega a ser dramática a carência em apoios sociais, especialmente para estudantes deslocados da sua residência habitual assim como para os trabalhadores estudantes que são obrigados a actividade profissional prematura para pagar os seus estudos.


As soluções passam, em primeiro lugar, por considerar um investimento na educação não como um investimento considerado na lógica capitalista, mas como um investimento na humanização da vida, um investimento considerado como uma prioridade estratégica no desenvolvimento do país e por isso a prioridade deverá ser investir na escola pública, gratuita e de qualidade para todos.

Não está em causa o direito da iniciativa privada se constituir como alternativa para os cidadãos que por ela, de livre vontade, queiram optar, não podendo, no entanto, ser potenciada pelo constrangimento da rede pública. Embora de acordo com o disposto na Constituição da República Portuguesa no que respeita ao carácter supletivo das respostas privadas em educação, estas deverão desenvolver a sua actividade de acordo com os quadros legais vigentes.

O sistema educativo existe, para servir os portugueses, para construir a identidade nacional, pessoal e social, para educar cidadãos livres, solidários e responsáveis, para desenvolver valores e capacidades.

Safira

O ME, no que à avaliação de desempenho diz respeito, pretende impor, teimosamente, a pior solução – implementar de qualquer maneira, ainda este ano, o processo de avaliação – provocando a balbúrdia e a perturbação nas escolas com situações de manifesto desrespeito pela lei e geradoras de injustiça.

SUSPENDER A AVALIAÇÃO É, NÃO SÓ, A EXIGÊNCIA DA PLATAFORMA, MAS A MELHOR SOLUÇÃO…
… Por ser muito desigual a situação entre escolas: umas já avançaram quase integralmente com o processo de avaliação, enquanto outras ainda não o iniciaram.
Em todas as escolas há uma constante: a incerteza e a perturbação sobre o que se deve fazer.
… Porque, as escolas que já avançaram, no todo ou em parte, com os procedimentos da avaliação fizeram-no num quadro de desrespeito pela lei, não tendo em conta que os despachos de enquadramento (despachos de 24/1 e 25/1 dos secretários de estado) foram suspensos por providências cautelares. Posteriores orientações do ME procuraram, apenas, contornar essa situação remetendo para as escolas o ónus de eventuais ilegalidades;
… Por não ser justo, nem legal, que o processo decorra de forma diferente entre escolas ou, dentro da mesma escola, entre professores. Neste caso, não se coloca a questão de autonomia, pois a legislação é clara no que respeita à uniformização do processo. Uma coisa será a existência de instrumentos próprios de avaliação interna, outra seria a existência de procedimentos diferenciados, uns mais simplificados, outros de maior complexidade. Estariam postos em causa princípios como os da igualdade e da equidade.
… Por não haver outra solução dentro do quadro legal que vigora, pois:
a) ou há condições para aplicar o disposto no Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro, que já contempla procedimentos simplificados para 2007/2008, designadamente nos seus artigos 33º e 34º, e hoje sabe-se que tal, no seu conjunto, é manifestamente impossível;
b) ou terá de se suspender a sua aplicação este ano.
Qualquer solução de outro tipo, intermédia ou diferenciada, seria ilegal e permitiria que o docente sujeito à avaliação a impugnasse.

O EQUÍVOCO DOS “7.000”
Não serão apenas 7.000 os docentes em avaliação em 2007/2008, mas a totalidade. A diferença é que 7.000 serão já este ano classificados, sendo os restantes apenas no final do biénio (2008/2009). Portanto, esta confusão entre “avaliação” e “classificação” tem sido uma forma de o ME, junto da opinião pública, procurar criar uma imagem de flexibilidade, ao mesmo tempo que, de facto, quer impor, já este ano, os processos de avaliação, aplicando-os à totalidade dos docentes.

O PROBLEMA NÃO SE RESUME À AVALIAÇÃO
A avaliação é apenas uma peça, embora muito importante, do ECD que nos foi imposto. Desse ECD decorre ainda a divisão da carreira em categorias, a prova de ingresso na profissão ou as sobrecargas de horário e trabalho que todos sentem no seu dia a dia profissional, entre outros aspectos negativos.
Por essa razão, a revisão, em 2009, do “ECD do ME” é uma das exigências dos professores. Reconhecendo que esse não é um processo simples, no imediato exigimos a suspensão da avaliação e que, em 2008/2009, esta avance a título experimental, havendo, no final, um período para a alteração negociada do regime que vigora.

A RESOLUÇÃO APROVADA NA MARCHA PROPÕE MEDIDAS PARA DESBLOQUEAR A ACTUAL SITUAÇÃO DE CONFLITO
O que separa os professores do ME não se resume ao ECD. Por essa razão aprovámos uma Resolução que contempla outros aspectos. Foi com base nela que se apresentaram ao ME as seguintes propostas com que se pretendia contribuir para o desbloqueamento da actual situação de conflito com os professores:
1. Suspensão da avaliação do desempenho este ano lectivo e garantia de que, daí, não advirão prejuízos para os professores;
2. Não aplicação, este ano, de qualquer procedimento decorrente do novo regime de gestão que ainda aguarda promulgação e posterior publicação;
3. Negociação de normas sobre horários de trabalho para 2008/2009 que garantam um mínimo de 9 horas de componente individual e a consideração efectiva da formação contínua como integrando o horário de trabalho dos professores;
4. Respeito pelas decisões e sentenças dos Tribunais, designadamente pela extensão de efeitos das já transitadas em julgado;
5. Renegociação, em 2009, da revisão do ECD, da nova legislação sobre direcção e gestão escolar e do novo regime sobre Educação Especial.
Estas foram as reivindicações imediatas que 100.000 professores aprovaram em 8 de Março, na Marcha da Indignação. O ME nem à primeira delas admitiu dar resposta positiva.
Surgiu, de início, uma certa abertura do ME. Porém, essa atitude foi logo negada pela ministra, em Conferência de Imprensa. Nos dias 14 e 17 de Março, em novas reuniões, confirmou-se a inflexibilidade ministerial.
Se, nas questões de fundo, o ME assume a total inflexibilidade, há um conjunto de aspectos relativos ao processo de avaliação que o ME afirma ter “aligeirado” ou “flexibilizado” designadamente, para escolas onde não se verifiquem as condições necessárias para a plena aplicação do processo de avaliação: ausência de observação de aulas, simplificação das fichas de avaliação, etc.
Todavia, estas medidas nada alteram de essencial ao problema que existe, limitando-se o ME a tentar, por todas as formas, que a avaliação de desempenho seja implementada, já no actual ano lectivo, de modo diversificado o que criará situações de grande confusão, de desigualdade e de injustiça relativa.
Em suma, o ME quer simplificar a avaliação para garantir, apenas, que o processo avance mesmo onde não há as condições mínimas, o que é inaceitável.

O QUE PODEM FAZER OS PROFESSORES NAS ESCOLAS
Os professores, inclusive os que integram os órgãos de direcção e gestão escolar, têm uma palavra essencial a dizer quanto ao desenvolvimento deste processo na sua escola e que deverá ser expressa, colectivamente, evitando posições de isolamento.
Em primeiro lugar, deverão exigir o cumprimento da lei em vigor, só devendo permitir o desenvolvimento do processo quando estiverem asseguradas as necessárias condições, nomeadamente sobre o ponto de vista jurídico, e exigindo, também, que essa aplicação seja feita no respeito pelas condições de funcionamento e as opções organizacionais da escola.
A esse nível, o Conselho Pedagógico terá um papel essencial, pois compete-lhe aprovar as fichas de avaliação, o que deve fazer respeitando a lei e os interesses dos professores e estudantes, não devendo aceitar pseudo-soluções que seriam ilegais e geradoras de problemas e dificuldades acrescidas. O ME não pode fazer avançar o processo num quadro de ilegalidade.
Os professores deverão opor-se a que se lhes apliquem procedimentos ilegais. Recorda-se que as providências cautelares ainda não mereceram decisão definitiva, o que retira eficácia a qualquer acto que decorra dos três despachos que continuam suspensos.
Da mesma forma, qualquer procedimento de avaliação a que, na sua escola, o professor seja sujeito, é sempre passível de impugnação.
Em qualquer situação de dúvida deverão os professores contactar, sem demora, os serviços jurídicos dos seus Sindicatos.

A ACÇÃO E A LUTA DOS PROFESSORES
Caso o ME mantenha a sua decisão, não nos resta outra alternativa que não seja continuar a lutar para que se possa ser Professor e para que a Escola Pública resista à actual política.
Nesse sentido, encontram-se previstas acções públicas de protesto para as primeiras semanas do 3º período (as segundas feiras de protesto, entre 14 de Abril e 5 de Maio).
O dia 15 de Abril será o Dia D, de Debate nas Escolas, em que os professores se reunirão para fazerem o ponto da situação e, sobretudo, debaterem a forma de prosseguir a sua justa luta que, a partir daí, deverá tornar-se ainda mais forte.

VAMOS APROFUNDAR E VALORIZAR A FORÇA E A UNIDADE DOS PROFESSORES

A PLATAFORMA NÃO DESILUDIRÁ OS 100.000 PROFESSORES E EDUCADORES QUE TORNARAM GRANDIOSA A MARCHA DA INDIGNAÇÃO

sábado, 29 de março de 2008

PLATAFORMA SINDICAL DOS PROFESSORES

Assunto: NOTA À COMUNICAÇÃO SOCIAL
28/03/2008

COMUNICADO

PLATAFORMA PROMOVE CONFERÊNCIA DE IMPRENSA E ENTREGA ABAIXO-ASSINADO NO M.E., DIA 31 DE MARÇO

ESTA INICIATIVA NO PRIMEIRO DIA DE AULAS, CONFIRMA QUE 3º PERÍODO SERÁ DE MUITA LUTA!

Durante a última semana de aulas e a interrupção lectiva da Páscoa, a Plataforma Sindical dos Professores pôs a circular um abaixo-assinado em que, no essencial, os professores colocam ao ME as mesmas exigências que já tinham apresentado na Resolução aprovada na Marcha da Indignação.

Em pleno período de interrupção, foram recolhidas cerca de 20.000 assinaturas que serão entregues no ME no dia 31 de Março, segunda-feira.


Poderia a Plataforma Sindical recolher, agora que o ano recomeçou, muitos milhares de outros subscritores, mas, sufragadas que estão estas posições pelos participantes na Marcha, preferiu aproveitar este abaixo-assinado para, no primeiro dia de aulas do 3º período voltar à rua e lembrar que, perante a intransigência ministerial, a luta dos professores não irá parar!


Neste dia 31 de Março a Plataforma Sindical promove uma Conferência de Imprensa, pelas 11.00 horas, no Hotel Marquês de Sá (Av. Miguel Bombarda, no 130), em Lisboa, seguida de uma deslocação para o ME onde será entregue o abaixo-assinado às 12.00 horas. Esta entrega será feita
pelos membros das direcções sindicais das diversas organizações.


A Plataforma Sindical dos Professores convida os Senhores(as) Jornalistas a
acompanharem a Conferência de Imprensa e a deslocação ao ME.

A Plataforma Sindical dos Professores

quinta-feira, 27 de março de 2008

Filmes não faltam ...

...Aqui

Novo Estatuto do Aluno: Psiquiatra Daniel Sampaio considera diploma monstruoso



25 de Abril

Tendo em conta a forma como o governo reagiu à nossa manifestação, temos necessidade de não abrandar a luta. NÃO PODEMOS ABRANDAR A LUTA.

Nesse sentido, sugeria nova manifestação dia 25 de Abril (sexta-feira, feriado), em frente à Assembleia da República, onde provavelmente estará reunido o plenário da AR.

Acham que é uma ideia viável? Acaso já há alguma movimentação nesse sentido? Acham que, em vez de 100000 conseguiremos reunir 120000 ou mais? E assim mostraremos que não andamos a brincar!

PONHO A IDEIA A CORRER, no Blog e nos e-mail? (com o vosso contributo e com mais de um mês de antecedência chegaremos a todos os colegas).

(Nota: pensei que talvez, nós os colegas de Lisboa e da zona, nos devêssemos organizar para ajudar a suportar parte das despesas dos colegas de mais longe. Não sei como, mas deverá haver uma forma).

QUE ACHAM?
Digam qualquer coisa, o mais depressa possível

Cumprimentos mobilizadores!
Ilídio Trindade

A Escola da Ministra

Hoje a Ministra OBRIGA todas as escolas e todos os professores a obedecerem de forma cega a orientações ouvidas em qualquer escola superior de 'eduquês', ou seja se:

· os alunos não estudam, a culpa é dos professores porque não souberam motivar os alunos;

· os alunos faltam, a culpa é dos professores porque as suas aulas não são interessantes;

· os alunos chegam atrasados, a culpa é dos professores porque não souberam incutir nos alunos a responsabilidade;

· os alunos copiam nos testes, a culpa é dos professores porque estes não souberam incutir civismo nos alunos;

· os alunos chumbam nos testes, a culpa é dos professores porque os testes não são a única forma de avaliação dos alunos e/ou é um professor não sabe 'envolver as crianças num bom ambiente de aprendizagem';

· os pais não comparecem na escola, a culpa é dos professores porque não os sensibilizaram para a importância de acompanharem a 'educação' dos seus filhos

· se os alunos não têm comportamentos adequados na sala de aula, a culpa é dos professores porque não os conseguiram 'envolver no processo ensino-aprendizagem';

· se os alunos agredirem o professor, a culpa é dos professores porque não respeitaram as diferenças sócio-culturais dos alunos;

· se os pais agredirem o professor, a culpa é dos professores porque não respeitaram os seus filhos;

· entre muitas outras 'patetices' desta 'ciência' oculta.

Desta forma a escola do 'eduquês' ou a 'escola nova', é a escola das actividades lúdicas, entretenimento e guarda de crianças e jovens, onde:

1. apenas é avaliado o desempenho do professor;

2. apenas é tido em conta a assiduidade do professor, nem que este esteja a morrer com a pior das doenças.

E assim vai a escola pública portuguesa, transformada num circo onde os professores não têm tempo para estudar e prepararem as suas aulas e onde os alunos são guardados o maior número de horas possível, não interessando para nada aquilo que VERDADEIRAMENTE SABEM.

MUITO GRAVE - LEIA

Recebemos um e-mail, que transcrevemos na íntegra, tal como foi recebido. Desconhecemos o autor, mas que é uma ALERTA, lá isso é!

Citar
MUITO GRAVE - LEIA

LEIA ESTAS LINHAS MEU AMIGO! ... mesmo se costuma apagar os meus mails por achar que têm muito para ler e que estes assuntos não lhe interessam ou não o afectarão! Desengane-se! Quanto mais barreiras de resistência cairem, mais depressa chegará a sua vez!!!

ISTO É EXTREMAMENTE GRAVE!

O nosso país não sabe e não se apercebe, mas a grande maioria dos professores que estão no terreno já sabe que 30 anos após o 25 de Abril, estamos a assistir à destruição do sistema de ensino em Portugal. Os motivos? fácil:
- Poupar nos profissionais (professores) para continuar a embolsar para diminuir o défice e encher os bolsos dos amigos que mamam à grande no Estado, desde administradores a gestores e passando pelos privados que recebem favorecimentos cada vez mais inconcebíveis! Até vão poupar nos profissionais que lidam com crianças deficientes (incluido profundas, surdos, mudos, cegos...) fechando os estabelecimentos próprios e colocando-as todas "inseridas" em turmas comuns na escola normal!!! para fazer o quê? com que possivel atenção do professor que tem o dever de dar aulas?
- Descredibilizar a Escola Pública para abrir caminho para os negócios privados da Educação que aí vêm! O último grande negócio que lhes faltava!
- Criar um país de absolutos ignorantes com um papel passado de frequência da escola que será obrigatória como depósito de pessoas, até ao 12º ano. Nunca terão emprego capaz! Não terão capacidade nem conhecimentos para protestar e deitar abaixo uma minoria de ditadorzinhos e exploradores que se alimentará e viverá em extrema riqueza à custa de todos! Já Salazar sabia o perigo do povo ter instrução: A CULTURA LIBERTA!!! O burro aceita o cabresto!!!
- Aparentar na Europa que temos perto de 100% de alfabetização e frequência da escola até ao 12º ano. Uma colossal mentira!

Para isto, atacam todos os dias os professores, como se fossem os culpados de tudo o que não corre bem no ensino, pelo caminho os pais (4 milhões de votos...) são promovidos a santos e descartados de toda a responsabilidade na educação dos seus filhos (até aplaudem que no 5º e 6º anos os alunos passem a estar 11 horas por dia na escola!!! não querem filhos? para que os tiveram?) e os alunos são promovidos a semi-deuses, podendo faltar às aulas a gosto, não trabalhando, não tendo disciplina, obrigações nem educação perante outras pessoas e estando garantida a sua passagem seja como for, e se ele não sabe nada a culpa é do professor, claro. De repente, todos os professores que formaram milhões de Portugueses em 30 anos são incompetentes e maus profissionais segundo este governo!

Talvez devam começar a pensar que toda a base da nossa sociedade começa na educação e formação do nosso povo, senão seriam todos uns pobres labregos a trabalhar por uma côdea de pão, e são os professores os agentes dessa formação! A base do nosso estilo de vida e da nossa sociedade!

Abram os olhos e digam a outros, pois a campanha de intoxicação das televisões por conta do governo tem impedido que as pessoas fora das Escolas saibam do que se passa!

Maria de Lurdes não disse, mas nós sabemos que tremeu

100mil na rua é muita gente, é a verdade de quem sente na pele a sua vida eternamente adiada.
Tremeu a senhora ministra, governo e não só.
Queremos uma Escola onde possamos ser gente e não vamos desistir!

Leonor Beleza perturbada com falta de respeito nas escolas

A presidente da Fundação Champalimaud e antiga ministra da Saúde, Leonor Beleza, mostrou-se hoje perturbada por actualmente não ser possível manter o respeito nas escolas, a propósito da alegada agressão de uma aluna a uma professora no Porto.

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=86587

O que eles dizem sobre a indisciplina e a violência nas escolas:

Lurdes Rodrigues, actual (ainda?) Ministra da Educação
É um oportunismo político estarem a misturar o Estatuto do Aluno, que é um quadro de regras que permite às escolas prevenir e agir, com este caso de indisciplina.

Couto dos Santos, Ministro da Educação (1992-1993)
Lamento que os professores tenham vindo a perder autoridade. O que tem muito a ver com o comportamento dos pais dos alunos, que acham que os filhos têm sempre razão.

Roberto Carneiro, Ministro da Educação (1985-1991)
Os miúdos chegam às escolas sem socialização. A escola não pode fazer o que os pais não fazem em casa. Têm que haver regras e elas têm que ser respeitadas pelos alunos.

Deus Pinheiro, Ministro da Educação (1985-1986)
Hoje em dia, os meninos vivem numa redoma. Tolera-se-lhes tudo. Os meninos têm que aprender a respeitar a escola em todos os sentidos. O mal é o facilitismo que está instalado.

Veiga Simão, Ministro da Educação (1970-1974)
Nos anos 70 os casos de indisciplina eram resolvidos nas escolas. Os professores eram muito respeitados. Eram uma autoridade por si próprios. Há uma crise de autoridade na sociedade.

Conclusões

Com excepção de MLR, todos são de opinião que a sociedade em geral e a família em particular falham redondamente na educação das crianças e dos adolescentes.
A ministra, como sempre, branqueia o falhanço dos pais e, cinicamente, atira com as responsabilidades para cima das escolas, depois da desautorização dos professores que obsessivamente tem levado a cabo e da permissividade do estatuto que aprovou para os alunos.
Esta senhora pode ser Ministra-do-Que-Quiser mas não é, seguramente, Ministra da Educação. Por este caminho, oxalá não venhamos ainda a designá-la de Ministra da Delinquência Juvenil! Com a obstinação e o autismo de que tem dado mostras, infelizmente, já faltou mais…

Cá como no Terceiro Mundo. Ou pior…

O Ministério da Educação adoptou um sistema que permite ao aluno terminar os estudos aprendendo quase nada.

Muitos pais não se conformam e estão fazendo o possível para que os filhos sejam reprovados.

Não fosse a segunda frase e pensaríamos que isto se refere ao nosso país, onde o facilitismo e a falta de exigência têm caracterizado o ensino, orientando-o, não para uma sólida aquisição de conhecimentos e competências, mas antes, para o sucesso meramente estatístico, a ignorância e a iliteracia.
Afinal trata-se do Brasil (como o vídeo seguinte mostra) e a única diferença é que os pais de lá, ao contrário dos congéneres de cá, não aceitam que os seus filhos sejam aprovados sem aprenderem, porque entendem (e bem) que progredir dessa forma de pouco ou nada lhes servirá no futuro.
Conclusão: graças à política educativa de Sócrates e Lurdes Rodrigues, somos cada vez mais um país do Terceiro Mundo!…


Novas oportunidades

Segunda carta aberta à Sra Ministra da Educação

Ílhavo, 24 de Março de 2008

Segunda carta aberta à Sra Ministra da Educação


Senhora Ministra da Educação


Excelência:


Há dias, uma jornalista tentava relacionar o acontecido na Escola Carolina Michaelis ( se fosse viva morreria de vergonha…) com o Estatuto do Aluno e V. Excia perguntava-lhe se o facto de haver um Código da Estrada impedia que houvesse acidentes de automóvel. A jornalista não lhe respondeu mas vou responder-lhe eu.


1. É evidente que o Código da Estrada não impede os acidentes de automóvel se os instruendos puderem faltar às aulas desse código e se no fim obtiverem a carta sem esforço.

É evidente que não impede se os instruendos puderem faltar ao respeito ao instrutor porque no fim ele vai ter de o aprovar para não prejudicar as estatísticas.

2. V. Excia é muito esperta mas parece não ter a inteligência suficiente para se aperceber da situação incontrolável que criou desrespeitando, humilhando e atirando para cima dos professores as culpas de tudo o que está mal nas escolas.

Mais uma vez V. Excia não tem uma palavra para dizer aos alunos e suas famílias como parte interessada no problema. A culpa, segundo o governo, é sempre dos professores e todos os outros estão inocentes e imaculados. V. Excia continua a dar carapau a um chefe de cozinha e a exigir-lhe que prepare lagosta suada para o jantar. E percebe-se facilmente porquê: porque o que interessa é desmoralizar os professores e diminuí-los aos olhos do povo para depois se lhes poder pagar pouco e não permitir que progridam na carreira. “Não merecem!, Não fazem nada!, Nem os nossos filhos conseguem educar!”


3. “Força, Ministra!”, continue a desculpar despudoradamente os alunos e as suas famílias e estará a criar uma geração que, para além de ignorante, não respeitará ninguém no autocarro, na rua, no trabalho, em casa.

“Força, Ministra!”, continue a hostilizar os professores se acha que foi desmoralizando os seus soldados que os generais ganharam batalhas.

“Força, Ministra!”, continue surda aos gritos de “a velha vai cair, altamente!” e, em breve, as salas de aula passarão do circo actual para coliseus onde os professores serão imolados para gáudio de alguns adolescentes imbelicizados por telenovelas e publicidade idiotas.

“Força, Ministra!”, continue a dizer que a Oposição está a fazer aproveitamento político da situação e um dia estará mais só e indefesa do que a Professora de Francês mas nesse dia não conte comigo para lhe estender a mão.


Neste momento V. Excia lembra-me um pastor perdido na serra a quem as ovelhas há muito não respeitam. A seu lado só tem os cães mas esses não fazem parte do rebanho…


Grato pela atenção


Domingos Freire Cardoso

Rua José António Vidal, nº 25 C

3830 - 203 ÍLHAVO

Tel. 234 185 375

E-mail: dfcardos@gmail.com

Petição

Colegas, não nos podemos esgotar no assunto avaliação. A questão principal que deverá orientar a nossa contestação, é o desmantelamento da Escola Pública Democrática e a sua privatização. O actual quadro legislativo que ministra Lurdes Rodrigues aprovou - contratação, estatuto, avaliação e gestão - faz da escola, neste momento, uma empresa. Portanto, o caminho está aberto ao mundo do negócio que sabe ser a "educação" um apetitoso filão de que já está a usufruir no ensino superior. Temos todo o carinho pelas Escolas privadas, não podemos é permitir que qualquer Escola, a nossa Escola Pública seja entrega às mãos do "negocismo" .Esta luta não é só dos professores, é a de todo e qualquer cidadão que funda o seu ser na dimensão Humana.


Anabela Almeida Barros, professora na Escola E.B 2,3 António Bento Franco - Ericeira


LEIA! SE CONCORDA, ASSINE….. e reenvie

http://www.petitiononline.com/1defende/petition.html
(documento redigido e subscrito por um grupo de professores da Ericeira que se reuniu nesta vila, no passado dia 1)

terça-feira, 25 de março de 2008

Os „Feios, Porcos e Maus“ do Ensino

Recebido por e-mail

Quem são eles, afinal? Os professores, como diz a Ex.ma Sra. Ministra? A Sra. Ministra e os seus Secretários e Adjuntos ? Os alunos? Os pais?

Não é fácil responder a esta pergunta. Nós, professores, durante longo tempo, aceitámos , com poucos ou nenhuns protestos, medidas injustas do Ministério.

O Ministério, satisfeito com o nosso quase silêncio, cada vez tomou medidas mais a nosso desfavor.

Os pais irresponsáveis,protegidos e até acirrados pelo ME, permitem aos filhos, os nossos alunos, comportamentos inaceitáveis.

Os alunos, como sempre foi, fazem aquilo que os deixam fazer…. que no momento é tudo!

Parece que em Portugal se abriu a “ caça ao professor”! Agora temos o escândalo da aluna do Liceu Carolina Michaëlis que se permite agredir a professora porque esta ( com toda a razão) lhe tirou o telemóvel!

Na minha opinião , deveria ser feito um exemplo deste caso – e de outros que não chegaram à opinião pública- com um justo processo posto aos pais da aluna e com a expulsão ou suspensão da mesma, como acontece nos países da Europa em que o Ensino ainda se rege por regras justas e correctas.

Tomemos o exemplo da vizinha Espanha, em que no passado dia 22 o Tribunal de Sevilha condenou a mãe de um aluno a pagar uma multa de 14 mil euros por uma agressão praticada pelo seu filho no Instituto de Secundária em que estuda. O tribunal considerou que a “laxitud y tolerancia” da mulher em educar o filho motivaram o comportamento violento do adolescente.

Pessoalmente, posso dar os exemplo mais modesto de alunos meus, jovens portugueses na Alemanha e na Suíça, a pedirem-me desculpa por se terem esquecido de desligar os telemóveis antes de entrar na aula, conforme ordenam as regras da escola. Uma ou duas vezes tirei telemóveis a alunos, pelo menos até ao fim da aula. Nunca houve reacções agressivas da parte dos alunos, a única coisa que aconteceu foi estes tomarem mais cuidado no futuro…

Mas o que espera a Sra. Ministra atingir, colocando os pais contra os professores? Que os últimos se tornem amas –secas de meninos malcriados?Que os meninos cresçam sem regras de comportamento, e que mais tarde se admirem de ser despedidos do emprego porque estão a navegar na Internet no computador da firma em vez de trabalhar? Será que nessa altura irão os pais agredir o chefe?

A situação do ensino em Portugal é perigosa. Perigosa porque se está a pôr em perigo o futuro da presente geração, e possivelmente o da seguinte.

Não sei responder,concretamente, à pergunta que pus no início. Mas posso garantir que a política de ensino actualmente seguida é feia, porca e !

Nuremberga, 25 de Março de 2008